sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Seminário de final de módulo - 4º período Integral - 2/2010





Os alunos abordaram temas como Abuso Infantil, Cuidado de crianças e adolescentes com AIDS e Influências sócio-culturais no cuidado à saúde da criança e do adolescente. A turma apresentou de forma clara e concisa os temas contextualizando com a realidade regional.

Introdução de artigo sobre a Síndrome de Stevens-Johnson...

Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507X

Rev. bras. ter. intensiva vol.18 no.3 São Paulo July/Sept. 2006

doi: 10.1590/S0103-507X2006000300012 

ARTIGO DE REVISÃO

Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica em medicina intensiva*

Stevens-Johnson syndrome and toxical epidermal necrolysis in intensive care medicine


Ana Carolina Pedigoni BulisaniI; Giselle Domingues SanchesI; Helio Penna GuimarãesII,III,IV; Renato Delascio LopesII; Letícia Sandre VendrameII,IV,V; Antonio Carlos LopesIV,VI
IMédica Especializanda da Disciplina de Clínica Médica da UNIFESP/EPM
IIMédico Diarista da UTI da Disciplina de Clínica Médica da UNIFESP/EPM e Coordenador do Núcleo de Estudos em Emergências Clínicas NEEC - Disciplina de Clínica Médica- UNIFESP/EPM
IIIMédico da Divisão de Pesquisa do instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
IVTítulo de Especialista em Medicina Intensiva pela AMIB-AMB
VMédica Coordenadora da UTI da Disciplina de Clínica Médica da UNIFESP/EPM
VIProfessor Titular da Disciplina de Clínica Médica da UNIFESP/EPM

Endereço para correspondência



RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A Síndrome de Stevens Johnson (SSJ) e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são reações cutâneas graves, com potencial para morbidade e mortalidade elevadas acometendo a pele e a membrana mucosa necessitando de cuidados de medicina intensiva. O objetivo deste artigo foi apresentar revisão da literatura sobre SSJ e NET.
CONTEÚDO: Este artigo revisa os conceitos básicos, diagnóstico, quadro clínico e o princípio de tratamento em Unidade de Terapia Intensiva da SSJ e NET.
CONCLUSÕES: Estas doenças caracterizam emergências dermatológicas e seu adequado manuseio e cuidado deve fazer parte do conhecimento rotineiro do médico intensivista.

Unitermos: Medicina Intensiva; Necrólise Epidérmica Tóxica, Stevens Johnson

SUMMARY
BACKGROUND AND OBJECTIVES: The Stevens Johnson Syndrome (SJS) and Toxical Epidermal Necrolisys (TEN) are important skin and mucosal lesions that need intensive care treatment. The aim of this article is to show a literature review about SJS and TEN.
CONTENTS: This article reviews the concepts, diagnostic topics, clinical presentation and the principle of basic treatment in Intensive Care Unit for SJS and TEN.
CONCLUSIONS: These illnesses are characterized as dermatological emergencies and its adequate management and cares must be part of the routine knowledge of the intensive care doctors.

Key Words: Intensive Care Medicine; Stevens Johnson Syndrome, Toxical Epidermal Necrolisys,



INTRODUÇÃO
Em 1922, Stevens e Johnson descreveram dois pacientes com erupções cutâneas generalizadas, febre contínua, mucosa oral inflamada e conjuntivite purulenta grave1,2, quadro denominado de eritema multiforme (EM); em 1950, esse quadro foi dividido em duas categorias: eritema multiforme minor (Von Hebra) e eritema multiforme major (EMM), também conhecido como síndrome de Stevens Johnson (SSJ). Desde 1983, o epônimo de Stevens Johnson passou a ser usado como sinônimo de EMM.
Em 1993, Bastuji e Roujeau propuseram que EMM e SSJ eram doenças distintas e sugeriram que a denominação de eritema multiforme deveria ser restrita para pacientes com lesões em alvo ou pápulas edematosas, com ou sem lesões mucosas; a denominação de SSJ deveria ser usada como síndrome caracterizada por erosões mucosas, bolhas pequenas e lesões eritematosas ou purpúricas que são diferentes dos alvos clássicos3.
De acordo com esta classificação clínica, SSJ e EMM, passaram a ser consideradas doenças distintas, com lesões mucosas similares e diferentes padrões de lesões cutâneas.
A síndrome de Stevens Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são reações cutâneas graves, com potencial para morbidade e mortalidade elevadas acometendo a pele e a membrana mucosa, caracterizada por exantema eritematoso disseminado, com acometimento centrífugo, lesões em alvo, acometimento de mucosa oral, ocular e genital1,2,4.

EPIDEMIOLOGIA
A síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica ocorrem em aproximadamente duas a três pessoas por milhão/ano na Europa e EUA5. Acometem pacientes de todas as idades, raças e sexo, e estão relacionadas principalmente ao uso de fármacos. Nos EUA, os casos tendem a aparecer na primavera e inverno1,2.
Dados brasileiros são escassos em relação à sua prevalência; a SSJ varia de 1.2 a 6 por milhões/ano e a NET, a 0.4 a 1.2 por milhões por ano. Esta síndrome é fatal em 5% dos casos e a NET em 30%6. Alguns fatores pode m ser predisponentes como comorbidades múltiplas e o uso de medicamentos para tratá-las, idade avançada, susceptibilidade genética e doenças com ativação imune7.
Na NET há extensa perda de epiderme, devido a necrose acometendo mais de 30% da superfície corpórea.

PATOGÊNESE E FISIOPATOLOGIA
A patogênese básica é uma reação de hipersensibilidade tardia a fármacos. Os três componentes do complemento e imunoglobulina (IgG) depositam-se na junção dermo-epidérmica e em torno dos pequenos vasos da derme. O estado ativado do antígeno leucocitário humano (HlA-DR) expresso nos queratinócitos é similar a outras desordens inflamatórias da pele. As células T CD8+ reconhecem o complexo maior de histocompatibilidade I (MHC-I), modificadas por um antígeno, e produzem lesões de pele de SSJ1,2. A deficiência de glutationa transferase, que está presente em 50% da população, e outros fatores, particularmente uma deficiência qualitativa de outras enzimas podem ter um papel na patogênese da SSJ8,9,10.Na histopatologia encontra-se necrose em células satélites nos estágios iniciais, progredindo para necrose da epiderme, contrastando com raros infiltrados inflamatórios da derme. A NET apresenta um infiltrado inflamatório menos proeminente e maior destruição epidérmica5. No quadro 1 estão apresentados os principais agentes relacionados a SSJ e NET.



ETIOLOGIA
SJS é uma doença causada por hipersensibilidade a imunocomplexos e pode ser desencadeada por distintos fármacos, infecções virais e neoplasia. Em metade dos casos nenhuma etiologia é encontrada: as drogas mais comuns são as sulfonamidas e penicilinas (26%) e o agente infeccioso mais relacionado é o herpes simples vírus (19,7%)10,11,12.
Os fármacos e as neoplasias são associados mais freqüentemente nos adultos. Em crianças são relacionadas mais freqüentemente as infecções; metade dos pacientes com relato de SSJ tem recente infecção do trato respiratório superior.
As drogas incluem penicilinas, sulfas, fenitoina (e anticonvulsantes relacionados), carbamazepina, nevirapina e outros inibidores da transcriptase reversa não nuclesosídeos, barbitúricos, inibidores da cicloxygenase 2 (valdecoxib); as doenças virais relatadas incluem o vírus herpes simples (HSV), HIV, Coxsackie, influenza, hepatites, linfogranuloma venéreo, varíola; os agentes bacterianos incluem o estreptococo beta hemolítico do grupo A, difteria, brucelose, micobactérias, micoplasma, tularemia, e febre tifóide; paracocidiodomicose, dermatofitoses e histoplasmose são as possibilidades fúngicas. A malária e o tricomonas foram relatados como protozoários. Nas crianças, as enteroviroses e Epstein Bar foram identificados. Vários carcinomas e linfomas também estão associados. A despeito das diversas etiologias, a SJS é considerada idiopática em até 25% a 50% dos casos1,2,10,13.

QUADRO CLÍNICO
O eritema cutâneo pode começar como máculas que se tornam pápulas, vesículas, bolhas, placas de urticária ou eritema confluente. O centro dessas lesões pode ser vesicular, purpúrico, ou necrótico. A lesão patognomônica tem a aparência em "alvo"; podem evoluir, coalescer, aumentar de tamanho e número; o sinal de Nikolsky pode estar presente (desprendimento da pele com leve fricção, tornando-a desnuda e suscetível à infecção secundária (Figura 1).

Visita técnica do 4º Período Integral/FUNORTE à UTI neonatal, pediatria, alojamento conjunto, hotelzinho e Escola Ciranda da Vida...


Leito pronto para admissão


sábado, 4 de dezembro de 2010

Algumas informações sobre cuidado com a pele do recém-nascido...


Referente ao banho, procedimento diário e de rotina nas UTIN,
consideramos ser um procedimento desnecessário, e contra indicado
em R.N. prematuros. Asseguramos que há necessidade de higienizar
somente a área dos genitais, com água morna e sabão neutro, porémnos R.N.s com peso inferior a 1500 gramas, a higiene deve ser
efetuada somente com água, pois nestes RNs a fragilidade da pele,
principalmente no fator nutrição/hidratação, é considerada duas vezes
maior que a de RN com peso de 1800 gramas. Com este cuidado,
garantiremos a manutenção da integridade da pele, deixando
inalteradas suas propriedades de barreira (manto ácido), a
termorregulação, funções metabólicas e controle dos dados vitais
.O autor ainda salienta que o banho deve ser prorrogado no
mínimo até o RNPT atingir duas semanas de vida, e depois deste
período, realizá-lo por tempo curto menor que cinco minutos, no
ambiente da incubadora, restringindo-se a área suja e de forma
infrequente (menor que três vezes por semana).
Sugerimos o clorexidine como alternativa, por ser eficaz na
redução da colonização da pele por um período de quatro até seis
horas após o banho e não haver descrição científica de toxicidade,
embora ocorra absorção
.A maturidade da pele determina o grau
de absorção percutânea, e em prematuros, a pele, logo ao
nascimento, apresenta comprometimento pela imaturidade,
facilitando, portanto a absorção de substâncias aplicadas na
superfície da pele.
A descontaminação da pele do prematuro antes de
procedimentos invasivos é freqüente na rotina das UTIN, pela
necessidade de reduzir a colonização da pele, fator importante e
de risco para a infecção sistêmica, principalmente Staphylococcus,
microorganismo determinante de sepse em RNPT.
.Portanto, como alternativa para obtenção de um amplo espectro
de antissepsia da pele do RNPT. à procedimentos invasivos dos
mais diversos sem comprometer o tegumento, a aplicação tópica
de clorexidine 0.5% sendo duas exposições e intervalo de 10
segundos ou uma exposição de 30 segundos, havendo necessidade
de retirar o resíduo (excesso) do produto com gaze estéril embebida
em água destilada estéril ou soro fisiológico 0,9%.
.As punções venosas e arteriais compõem a rotina a que os RNs
são impostos nas unidades neonatais. Indicamos o agrupamento
das coletas de sangue, a fim de evitar tais procedimentos e minimizar
e/ou prevenir a dor, que frente à freqüência destas experiências
ocasiona-se hiperinervação e hiperalgesia da área perfurada por
proliferação das fibras nervosas na reparação deste local
A hidratação adequada é de particular importância em RNPT
uma vez que o conteúdo de água extracelular deles é maior (70%
em RNT e até 90% em RN prematuros), portanto, há necessidade
de haver acesso vascular para a administração de fluidos parenterais
suplementares, que oferecem caloria adicional, eletrólitos e/ou água,
evitando a depleção hídrica e comprometimento cutâneo oriundo
deste desequilíbrio.
.De modo geral, os autores referendados indicam o micropore
como fonte adesiva destes materiais, porém este adesivo ou qualquer
outro que possua maior potencial de aderência deve ser empregado
sobre fina cobertura de hidrocolóide ou filme transparente
previamente aplicado na pele do prematuro, ao uso de cateteres
vasculares, sondas, tubo endotraqueal, dispositivo plástico de coleta
urinária. No caso de fixação de cateteres vasculares, a fixação deve
ser efetuada com cobertura adesiva transparente, antialérgica,
favorável a permeabilidade gasosa e impermeável a contaminantes
externos, propiciando avaliação contínua do local de inserção,
quanto presença de sinais flogísticos e infiltração, sobretudo havendo
menor manipulação. A troca desta película deve ser realizada no
mínimo a cada sete dias..
Assim, apontamos alternativa para fixação do sensor do oxímetro
e proteção ocular do RN exposto a fototerapia, o uso de tiras a
pressão auto-adesiva com peças de velcro desenvolvidas para tal,
para tanto se torna indispensável manter a vigilância para que a
posição do mesmo não seja fator de lesão de pele.
. Sugerimos que se alterne o local de fixação, em média, a cada 4 horas,
considerando a individualidade e características da pele de cadaprematuro para determinar a freqüência do rodízio, como profilaxia
de comprometimento cutâneo e dor, garantindo a circulaçãosanguínea do local. Ressalta ainda que o sensor do oxímetro de
pulso deva ser fixado com firmeza, porém de maneira confortável,
descomprometendo a movimentação do RN
Com relação ao uso de dispositivo plástico de coleta urinária,
recomenda-se a aplicação de bolas de algodão sobre a genitália do
prematuro ou na fralda descartável do mesmo, realizando
posteriormente manobra de expressão, em um saco plástico, na
bola de algodão embebida de diurese, possibilitando a aspiração
deste fluido com uma seringa. Este é o meio mais simples, eficaz e
menos traumático de se aferir o débito e controle urinário; embora
seja comentado o uso da pesagem da fralda descartável, convertendo
diretamente o peso em mililitros (por ex., 25 g=25ml),
consideramos que este último método garante somente o registro
do volume urinário eliminado.
Os adesivos devem ser mantidos na pele por pelo menos 24
horas, exceto na necessidade de refixação por despreendimento
do adesivo anterior ou data de validade do material, como sonda
gástrica. Destaca que os eletrodos de monitor cardíaco demandam
remoção somente quando não estiverem funcionantes, e na certeza
de que estes não serão mais necessários.
.A autora supra citada sugere outros produtos alternativos, como
o hidrocolóide, que forma uma camada epitelial artificial, útil na
profilaxia de traumas na pele do RNPT, quando aplicado sobre a
pele antes de fixar cateteres ou outros dispositivos, colaboram na
repitelização e cicatrização da lesão da pele do prematuro.
ARTIGO: A pele do recém-nascido prematuro sob a a avaliação do enfermeiro: cuidado norteando a manutenção da integridade cutânea.
Christiane Pereira Martins1, Carmen Elisa Villalobos T2 , 1.Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem.
2.Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Enfermagem. São Paulo, SP
Publicado na REBEN (Revista Brasileira de Enfermagem) (08/2009)