Referente ao banho, procedimento diário e de rotina nas UTIN,consideramos ser um procedimento desnecessário, e contra indicadoem R.N. prematuros. Asseguramos que há necessidade de higienizarsomente a área dos genitais, com água morna e sabão neutro, porémnos R.N.s com peso inferior a 1500 gramas, a higiene deve serefetuada somente com água, pois nestes RNs a fragilidade da pele,principalmente no fator nutrição/hidratação, é considerada duas vezesmaior que a de RN com peso de 1800 gramas. Com este cuidado,garantiremos a manutenção da integridade da pele, deixandoinalteradas suas propriedades de barreira (manto ácido), atermorregulação, funções metabólicas e controle dos dados vitais.O autor ainda salienta que o banho deve ser prorrogado nomínimo até o RNPT atingir duas semanas de vida, e depois desteperíodo, realizá-lo por tempo curto menor que cinco minutos, noambiente da incubadora, restringindo-se a área suja e de formainfrequente (menor que três vezes por semana).Sugerimos o clorexidine como alternativa, por ser eficaz naredução da colonização da pele por um período de quatro até seishoras após o banho e não haver descrição científica de toxicidade,embora ocorra absorção.A maturidade da pele determina o graude absorção percutânea, e em prematuros, a pele, logo aonascimento, apresenta comprometimento pela imaturidade,facilitando, portanto a absorção de substâncias aplicadas nasuperfície da pele.A descontaminação da pele do prematuro antes deprocedimentos invasivos é freqüente na rotina das UTIN, pelanecessidade de reduzir a colonização da pele, fator importante ede risco para a infecção sistêmica, principalmente Staphylococcus,microorganismo determinante de sepse em RNPT..Portanto, como alternativa para obtenção de um amplo espectrode antissepsia da pele do RNPT. à procedimentos invasivos dosmais diversos sem comprometer o tegumento, a aplicação tópicade clorexidine 0.5% sendo duas exposições e intervalo de 10segundos ou uma exposição de 30 segundos, havendo necessidadede retirar o resíduo (excesso) do produto com gaze estéril embebidaem água destilada estéril ou soro fisiológico 0,9%..As punções venosas e arteriais compõem a rotina a que os RNssão impostos nas unidades neonatais. Indicamos o agrupamentodas coletas de sangue, a fim de evitar tais procedimentos e minimizare/ou prevenir a dor, que frente à freqüência destas experiênciasocasiona-se hiperinervação e hiperalgesia da área perfurada porproliferação das fibras nervosas na reparação deste localA hidratação adequada é de particular importância em RNPTuma vez que o conteúdo de água extracelular deles é maior (70%em RNT e até 90% em RN prematuros), portanto, há necessidadede haver acesso vascular para a administração de fluidos parenteraissuplementares, que oferecem caloria adicional, eletrólitos e/ou água,evitando a depleção hídrica e comprometimento cutâneo oriundodeste desequilíbrio..De modo geral, os autores referendados indicam o microporecomo fonte adesiva destes materiais, porém este adesivo ou qualqueroutro que possua maior potencial de aderência deve ser empregadosobre fina cobertura de hidrocolóide ou filme transparentepreviamente aplicado na pele do prematuro, ao uso de cateteresvasculares, sondas, tubo endotraqueal, dispositivo plástico de coletaurinária. No caso de fixação de cateteres vasculares, a fixação deveser efetuada com cobertura adesiva transparente, antialérgica,favorável a permeabilidade gasosa e impermeável a contaminantesexternos, propiciando avaliação contínua do local de inserção,quanto presença de sinais flogísticos e infiltração, sobretudo havendomenor manipulação. A troca desta película deve ser realizada nomínimo a cada sete dias..Assim, apontamos alternativa para fixação do sensor do oxímetroe proteção ocular do RN exposto a fototerapia, o uso de tiras apressão auto-adesiva com peças de velcro desenvolvidas para tal,para tanto se torna indispensável manter a vigilância para que aposição do mesmo não seja fator de lesão de pele.. Sugerimos que se alterne o local de fixação, em média, a cada 4 horas,considerando a individualidade e características da pele de cadaprematuro para determinar a freqüência do rodízio, como profilaxiade comprometimento cutâneo e dor, garantindo a circulaçãosanguínea do local. Ressalta ainda que o sensor do oxímetro depulso deva ser fixado com firmeza, porém de maneira confortável,descomprometendo a movimentação do RNCom relação ao uso de dispositivo plástico de coleta urinária,recomenda-se a aplicação de bolas de algodão sobre a genitália doprematuro ou na fralda descartável do mesmo, realizandoposteriormente manobra de expressão, em um saco plástico, nabola de algodão embebida de diurese, possibilitando a aspiraçãodeste fluido com uma seringa. Este é o meio mais simples, eficaz emenos traumático de se aferir o débito e controle urinário; emboraseja comentado o uso da pesagem da fralda descartável, convertendodiretamente o peso em mililitros (por ex., 25 g=25ml),consideramos que este último método garante somente o registrodo volume urinário eliminado.Os adesivos devem ser mantidos na pele por pelo menos 24horas, exceto na necessidade de refixação por despreendimentodo adesivo anterior ou data de validade do material, como sondagástrica. Destaca que os eletrodos de monitor cardíaco demandamremoção somente quando não estiverem funcionantes, e na certezade que estes não serão mais necessários..A autora supra citada sugere outros produtos alternativos, comoo hidrocolóide, que forma uma camada epitelial artificial, útil naprofilaxia de traumas na pele do RNPT, quando aplicado sobre apele antes de fixar cateteres ou outros dispositivos, colaboram narepitelização e cicatrização da lesão da pele do prematuro.
ARTIGO: A pele do recém-nascido prematuro sob a a avaliação do enfermeiro: cuidado norteando a manutenção da integridade cutânea.
Christiane Pereira Martins1, Carmen Elisa Villalobos T2 , 1.Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem.
2.Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Enfermagem. São Paulo, SP
Publicado na REBEN (Revista Brasileira de Enfermagem) (08/2009)
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