sábado, 4 de dezembro de 2010

Algumas informações sobre cuidado com a pele do recém-nascido...


Referente ao banho, procedimento diário e de rotina nas UTIN,
consideramos ser um procedimento desnecessário, e contra indicado
em R.N. prematuros. Asseguramos que há necessidade de higienizar
somente a área dos genitais, com água morna e sabão neutro, porémnos R.N.s com peso inferior a 1500 gramas, a higiene deve ser
efetuada somente com água, pois nestes RNs a fragilidade da pele,
principalmente no fator nutrição/hidratação, é considerada duas vezes
maior que a de RN com peso de 1800 gramas. Com este cuidado,
garantiremos a manutenção da integridade da pele, deixando
inalteradas suas propriedades de barreira (manto ácido), a
termorregulação, funções metabólicas e controle dos dados vitais
.O autor ainda salienta que o banho deve ser prorrogado no
mínimo até o RNPT atingir duas semanas de vida, e depois deste
período, realizá-lo por tempo curto menor que cinco minutos, no
ambiente da incubadora, restringindo-se a área suja e de forma
infrequente (menor que três vezes por semana).
Sugerimos o clorexidine como alternativa, por ser eficaz na
redução da colonização da pele por um período de quatro até seis
horas após o banho e não haver descrição científica de toxicidade,
embora ocorra absorção
.A maturidade da pele determina o grau
de absorção percutânea, e em prematuros, a pele, logo ao
nascimento, apresenta comprometimento pela imaturidade,
facilitando, portanto a absorção de substâncias aplicadas na
superfície da pele.
A descontaminação da pele do prematuro antes de
procedimentos invasivos é freqüente na rotina das UTIN, pela
necessidade de reduzir a colonização da pele, fator importante e
de risco para a infecção sistêmica, principalmente Staphylococcus,
microorganismo determinante de sepse em RNPT.
.Portanto, como alternativa para obtenção de um amplo espectro
de antissepsia da pele do RNPT. à procedimentos invasivos dos
mais diversos sem comprometer o tegumento, a aplicação tópica
de clorexidine 0.5% sendo duas exposições e intervalo de 10
segundos ou uma exposição de 30 segundos, havendo necessidade
de retirar o resíduo (excesso) do produto com gaze estéril embebida
em água destilada estéril ou soro fisiológico 0,9%.
.As punções venosas e arteriais compõem a rotina a que os RNs
são impostos nas unidades neonatais. Indicamos o agrupamento
das coletas de sangue, a fim de evitar tais procedimentos e minimizar
e/ou prevenir a dor, que frente à freqüência destas experiências
ocasiona-se hiperinervação e hiperalgesia da área perfurada por
proliferação das fibras nervosas na reparação deste local
A hidratação adequada é de particular importância em RNPT
uma vez que o conteúdo de água extracelular deles é maior (70%
em RNT e até 90% em RN prematuros), portanto, há necessidade
de haver acesso vascular para a administração de fluidos parenterais
suplementares, que oferecem caloria adicional, eletrólitos e/ou água,
evitando a depleção hídrica e comprometimento cutâneo oriundo
deste desequilíbrio.
.De modo geral, os autores referendados indicam o micropore
como fonte adesiva destes materiais, porém este adesivo ou qualquer
outro que possua maior potencial de aderência deve ser empregado
sobre fina cobertura de hidrocolóide ou filme transparente
previamente aplicado na pele do prematuro, ao uso de cateteres
vasculares, sondas, tubo endotraqueal, dispositivo plástico de coleta
urinária. No caso de fixação de cateteres vasculares, a fixação deve
ser efetuada com cobertura adesiva transparente, antialérgica,
favorável a permeabilidade gasosa e impermeável a contaminantes
externos, propiciando avaliação contínua do local de inserção,
quanto presença de sinais flogísticos e infiltração, sobretudo havendo
menor manipulação. A troca desta película deve ser realizada no
mínimo a cada sete dias..
Assim, apontamos alternativa para fixação do sensor do oxímetro
e proteção ocular do RN exposto a fototerapia, o uso de tiras a
pressão auto-adesiva com peças de velcro desenvolvidas para tal,
para tanto se torna indispensável manter a vigilância para que a
posição do mesmo não seja fator de lesão de pele.
. Sugerimos que se alterne o local de fixação, em média, a cada 4 horas,
considerando a individualidade e características da pele de cadaprematuro para determinar a freqüência do rodízio, como profilaxia
de comprometimento cutâneo e dor, garantindo a circulaçãosanguínea do local. Ressalta ainda que o sensor do oxímetro de
pulso deva ser fixado com firmeza, porém de maneira confortável,
descomprometendo a movimentação do RN
Com relação ao uso de dispositivo plástico de coleta urinária,
recomenda-se a aplicação de bolas de algodão sobre a genitália do
prematuro ou na fralda descartável do mesmo, realizando
posteriormente manobra de expressão, em um saco plástico, na
bola de algodão embebida de diurese, possibilitando a aspiração
deste fluido com uma seringa. Este é o meio mais simples, eficaz e
menos traumático de se aferir o débito e controle urinário; embora
seja comentado o uso da pesagem da fralda descartável, convertendo
diretamente o peso em mililitros (por ex., 25 g=25ml),
consideramos que este último método garante somente o registro
do volume urinário eliminado.
Os adesivos devem ser mantidos na pele por pelo menos 24
horas, exceto na necessidade de refixação por despreendimento
do adesivo anterior ou data de validade do material, como sonda
gástrica. Destaca que os eletrodos de monitor cardíaco demandam
remoção somente quando não estiverem funcionantes, e na certeza
de que estes não serão mais necessários.
.A autora supra citada sugere outros produtos alternativos, como
o hidrocolóide, que forma uma camada epitelial artificial, útil na
profilaxia de traumas na pele do RNPT, quando aplicado sobre a
pele antes de fixar cateteres ou outros dispositivos, colaboram na
repitelização e cicatrização da lesão da pele do prematuro.
ARTIGO: A pele do recém-nascido prematuro sob a a avaliação do enfermeiro: cuidado norteando a manutenção da integridade cutânea.
Christiane Pereira Martins1, Carmen Elisa Villalobos T2 , 1.Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem.
2.Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Enfermagem. São Paulo, SP
Publicado na REBEN (Revista Brasileira de Enfermagem) (08/2009)

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